Assista a trabalhos inteiros, não só aos primeiros segundos. Confira se o creator demonstra bem, se a fala soa natural e se o cenário ajuda a entender o produto. Pergunte como recebe o briefing e lida com ajustes. Na Bloomer, um time avalia cada creator pela capacidade de gravar bons conteúdos; a marca decide quem selecionar para a campanha. Não confunda curadoria da base com garantia de resultado de uma peça.
Seguidores não são o critério central
Seguidores medem o tamanho de uma audiência. No UGC, a audiência do creator não é o que você leva: o vídeo vai para os seus canais e para os seus anúncios. O IAB Brasil, ao apresentar a pesquisa #Publi de 2026, resume a mudança de olhar do mercado:
Em uma campanha de influência, um perfil grande pode ser exatamente o que você quer. Em UGC, as perguntas abaixo ajudam mais.
Sete perguntas para avaliar um creator
| # | Pergunta | O que olhar | Sinal de alerta |
|---|---|---|---|
| 1 | Ele já fez o formato que eu preciso? | Vídeos de demonstração, receita, produto em uso, loja ou campanha, conforme o seu pedido | Portfólio só de "dancinhas" e trends quando você precisa de uma demonstração |
| 2 | O que ele grava combina com o meu produto? | Categoria, tom e ambiente do conteúdo dele: quem grava receitas no dia a dia fala de comida com mais naturalidade do que de tecnologia | Aceita qualquer produto sem perguntar nada sobre ele |
| 3 | Quem assiste se reconhece nele? | Se o creator se parece com o seu cliente em situação de uso | Fala de quem nunca usaria o produto |
| 4 | A abertura prende? | Os três primeiros segundos de cada exemplo | Começo longo, com saudação e apresentação |
| 5 | Imagem e som estão limpos? | Luz, áudio, estabilidade, enquadramento vertical | Som abafado, contraluz, vídeo horizontal esticado |
| 6 | Ele fala do produto de forma específica? | Nos vídeos anteriores, se o conteúdo mostra uso, cena e detalhe, e não uma fala que serviria para qualquer produto | Vídeos que trocariam de produto sem mudar uma palavra |
| 7 | Aceita as regras de uso? | A reação à cessão de imagem, ao prazo e ao uso em anúncios | Recusar ou tratar o contrato como detalhe |
Use a tabela como roteiro de reunião ou como checklist ao avaliar perfis. Na Bloomer, a marca escolhe os perfis entre os creators que se candidatam. Para a parte comercial, o caminho é o pedido de proposta.
O menor valor não decide sozinho
Ao comparar perfis e condições, compare o que está incluído, não só o total. Um valor baixo que não inclui variação de abertura, revisão ou uso em anúncios pode sair mais caro depois. Mais sobre isso em quanto custa UGC.
ItaúBanco
Em dois vídeos, a creator fala com a câmera, no sofá e, no segundo, também na rua. O aplicativo do banco aparece na tela do celular.
Ver o case
AssaíAtacarejo
A creator percorre a loja, passa pelo hortifrúti, empurra o carrinho cheio e finaliza no caixa, com o cartão na mão.
Ver o caseO creator certo depende do formato
Não existe "o melhor creator". Existe o certo para um formato. Quem é excelente em receita pode ser fraco em demonstração de tecnologia. Quem conversa bem com a câmera pode sofrer em um vídeo gravado em loja, onde o ambiente não é controlado.
Antes de escolher a pessoa, escolha o formato. O guia de formatos de UGC mostra cinco, com exemplos reais, e o que cada um exige de quem grava.
Perfis diferentes servem a objetivos diferentes
Em vez de procurar "o creator bom", descreva o tipo de habilidade que o seu vídeo exige. Quatro perfis aparecem com frequência:
| Perfil | O que faz bem | Costuma servir para | Atenção |
|---|---|---|---|
| Quem conversa com a câmera | Fala natural, olho no olho, ritmo de conversa | Campanha, depoimento, serviço, app | Pode ter dificuldade em mostrar o produto com detalhe |
| Quem demonstra | Mostra o produto passo a passo, com mãos e planos de detalhe | Demonstração, produto com dúvida de uso | Pode soar técnico demais, como manual |
| Quem cozinha ou prepara | Conduz uma sequência com começo, meio e fim | Receita, alimentos, utensílios | O produto pode virar detalhe da receita |
| Quem vive o ambiente | Grava em loja, rua, casa, academia, sem controle de cenário | Na loja, produto em uso | Imagem e som variam mais; combine o local antes |
Nenhum perfil é melhor que outro. O erro é pedir a um o que o outro faz bem.
O que a fala do creator revela
A forma como o creator fala do produto diz muito sobre ele, e dá para ver nos vídeos anteriores. Compare duas falas fictícias, de dois creators, sobre uma garrafa térmica:
Vídeo A: "Olá, pessoal! Hoje vou apresentar um produto incrível que vai mudar a sua rotina. Garrafa térmica de alta qualidade, com design moderno. Corre e compra!"
Vídeo B: "A minha água sempre esquentava no meio do treino. Peguei a garrafa no vestiário, coloquei na bolsa e levei pra esteira. Duas horas depois, ainda estava gelada."
A primeira serviria para qualquer produto. Não mostra uso, não separa abertura de desenvolvimento e trata o público como plateia. A segunda tem cena, ritmo e voz de quem usa. Uma fala específica é sinal de que a pessoa pensou no produto, e não em um modelo.
Se o vídeo entregue sair como o A, o problema pode estar no briefing. Quem pede pouco recebe pouco. Antes de descartar o creator, confira se o pedido foi claro: veja como fazer um briefing de UGC.
Comece pequeno e compare
A primeira rodada não precisa dar certo. Precisa ensinar. Contrate poucos creators, com perfis diferentes entre si e o mesmo briefing. Depois, compare:
- Quem entendeu melhor o produto?
- Quem entregou imagem e som que não precisam de retrabalho?
- Quem seguiu o briefing sem perder a naturalidade?
- Quais vídeos funcionaram na sua conta, com as suas métricas?
O último ponto decide. Um vídeo que a equipe adorou e o público ignorou perde para um vídeo mediano que vende. Para medir sem se enganar, veja como usar UGC em anúncios.
Quando repetir com o mesmo creator
Se o primeiro vídeo funcionou, a tentação é pedir o mesmo de novo. Vale repetir quando você sabe por que ele funcionou: o formato, a abertura, o jeito de falar. Isso vira instrução de briefing para a próxima rodada e para outros creators.
Vale também abrir espaço, com a mesma frequência, para perfis novos. O público se cansa de um rosto repetido, e um creator novo traz um ângulo que você ainda não testou. Alternar entre repetir o que aprendeu e experimentar um perfil diferente é o ritmo de quem usa UGC como processo, não como compra pontual.
Sinais de alerta
- Promete resultado. "Esse vídeo vai viralizar" ou "vai vender muito" é promessa que ninguém controla. UGC não garante vendas.
- Não mostra exemplos, ou só mostra trabalho de outras pessoas.
- Evita falar de prazo, revisão ou uso. Quem não quer combinar direitos antes de gravar costuma causar o problema depois.
- Fala como anúncio. Se o texto soa como slogan, o vídeo perde o jeito de conteúdo de gente comum.
- Exige mais do que o briefing paga, sem dizer o motivo.
O que combinar antes de fechar
Escolhido o creator, o que reduz o risco é o combinado por escrito: quantidade de vídeos e de variações, formato e duração, rodadas de ajuste, prazo de entrega, onde o vídeo pode ser usado e por quanto tempo, quem envia o produto e como será o pagamento. Os pontos de uso estão no guia de contrato de cessão de imagem.
Quem escolhe na Bloomer
Na Bloomer, os creators se cadastram e se candidatam às campanhas. Um time da Bloomer avalia cada creator para garantir que saiba gravar bons conteúdos, e a marca escolhe o perfil por campanha. Não há mínimo de seguidores.
O briefing é o que mais melhora a qualidade dos vídeos. Se você ainda não tem um, o gerador de briefing organiza os campos, e o guia de como fazer um briefing de UGC explica o raciocínio.
Perguntas frequentes
Preciso de um creator com muitos seguidores?
Não necessariamente. Em UGC a marca contrata o conteúdo e não a audiência. Pesam a qualidade do vídeo, a naturalidade e a aderência ao produto. Cada campanha define o perfil de creator que procura.
O que avaliar em um portfólio de UGC?
Se há vídeos no formato que você precisa (demonstração, receita, uso do produto, loja), se a abertura prende, se imagem e som estão limpos e se a pessoa fala como gente e não como anúncio. Compare com vídeos parecidos com o seu pedido.
Quantos creators devo contratar para começar?
Não há número certo. Comece com poucos, com perfis diferentes entre si, e compare o resultado com as métricas da sua conta. O objetivo da primeira rodada é descobrir quem entende o seu produto.
Quem escolhe os creators na Bloomer?
A marca. Os creators se candidatam à campanha e a marca escolhe os perfis com que quer trabalhar. Um time da Bloomer avalia cada creator para garantir que saiba gravar bons conteúdos, e não há mínimo de seguidores.
O creator precisa ter usado o produto antes?
Não necessariamente. Quando a campanha envolve envio de produto, ele pode chegar ao creator antes da gravação. Mas a naturalidade aparece mais quando o creator entende o produto e fala dele com as próprias palavras.